De volta ao Slackware mais uma vez

Parece incrível, mas depois de tentar usar outra distribuição indicada para desktop, que tem softwares mais atuais, configuradores gráficos e todas as facilidades esperadas para esse tipo de distribuição acabei voltando ao Slackware, os motivos foram variados, vou mostrar alguns e fazer um testemunhal sobre minha vida com Linux em desktop.

 

Cabe aqui uma pequena lista de distribuições que já foram meu desktop principal, tudo começou com o Red Hat, depois passei por Conectiva, voltei ao Red Hat até que a distribuição desktop “free” foi descontinuada, assim passei ao Fedora Core, nesse tive alguns problemas com o Fedora 2 e acabei partindo para o Kurumin, onde fiquei um bom tempo, e também testando outras distribuições em “dual boot”, tive uma breve experiencia com o Suse, tentei outras versões do Fedora, experimentei o Kalango e tentei o Debian, contudo fiquei com o Kurumin mesmo, ele atendia a todas as minhas necessidades, tinha todas as suas facilidades e era bem estável, mas uma coisa sempre me deixava desconfortável, como ele vem em apenas um cd, muitos dos softwares que eu usava tinha de baixar, e como em meu bairro a Telefônica insiste em não disponibilizar banda larga, assim sempre tentei encontrar uma distribuição que viesse com vários pacotes pronto para uso, principalmente os pacotes de desenvolvimento e alguns outros não tão comuns nas distribuições live-cd.

 

Nesse meio tempo nunca cogitei o Slackware, verdade que não fui apurar informações mais detalhadas, apenas tinha o preconceito de que era uma distribuição indicada para servidores e usuários extremamente avançados, que tudo era difícil e complicado, tudo isso baseado nas poucas informações da internet e também em testemunhos de usuários que haviam tentado a distribuição sem sucesso.

 

Finalmente chegou 2007, após problemas de saúde que me proibiam de manusear computadores e que também me fizeram vender meu pc anterior, acabei comprando um pc antigo, um Celeron 800 com tudo onboard, como paguei barato nem liguei para o hardware de segunda que é usado nele (é um daqueles micros da Metron, do primeiro programa do governo que visa a inclusão digital, ou seja, estou usando o PC da Sandy e Junior, arghhhhhhhh), resolvi que iria usar o Kurumin novamente, afinal conhecia a distribuição e sabia que ela poderia ser usada neste hardware, mesmo com limitações.

 

Para minha felicidade a distribuição havia evoluído muito, estava mais robusta, o tamanho era maior e agora estava baseada na versão estável do Debian, comecei a consultar os fóruns da distribuição e comecei a ver que o minimo de memoria exigido era maior, que a interface gráfica estava mais pesada (isso não é culpa da distribuição, é evolução natural do KDE mesmo) e agora existia uma versão Light, mas logo desisti dela, seria mais inviável que a distribuição normal.

 

Nisso parei um pouco e pensei, havia visto em uma banca de jornais uma revista PC Linux com o Slackware11, porque não tentar, afinal sempre falaram que era indicada para micros mais modestos como o meu por causa de sua infinita possibilidade de customização e leveza, e, por mais difícil que fosse, pelo menos iria brincar uma pouco com um computador, se eu não desse conta do recado tinha um cd do Kurumin 6 Alpha aqui comigo para instalar em ultimo caso.

 

Comecei a buscar informações para estudar a instalação e possíveis problemas que iria encontrar, para minha felicidade encontrei o ebook do colega de Fórum GdH Kalicrates (também conhecido como José Antônio da Silva Neto, Mestre em Física Matemática que já teve inclusive seus guias sobre Slackware publicados pela editora Digeratti :D ) e também o Linux Essentials, o famoso Slackbook, em versão já traduzida para o português, então já estava armado com o que tinha de melhor sobre instalação e primeiros contatos com a distribuição.

Fui a banca, comprei a revista (que por acaso vinha com um guia de instalação que classifico como medíocre, basicamente fizeram um resumo do guia do Kali e depois lendo com calma encontrei algumas informações desencontradas), contudo resolvi arriscar uma coisa um pouco mais ousada, parti para a instalação sem ler os ebook’s, afinal queria um pouco de emoção, testar como estava meus conhecimentos e também para verificar como estava meu inglês, já que a instalação do Slackware é totalmente neste idioma.

Cabe ressaltar aqui que tinha feito a preparação dos discos antes, já havia criado as partições para o sistema, backup e swap (não uso a home em partição separada, não em ambiente de testes, apenas se ver que aquela será a instalação definitiva) usando o live-cd do Kurumin, pois o mesmo já vem com o parted e seu front-end, o gparted.

 

Cd-rom no drive, boot na maquina, apareceu a seleção do kernel (onde escolhi o padrão, afinal estava debutando na distribuição e queria terminar a instalação sem problemas), fiz a escolha, indiquei em qual partição iria ser feita as instalação do sistema, qual seria a swap e coloquei a backup para ser montado durante o boot e parti para a seleção dos programas que seriam instalados, até aqui meu inglês estava sendo suficiente, mas cai numa pegadinha, o instalador oferece algumas opções, a Full, onde é instalado tudo sem perguntas, a Expert, onde você seleciona quais grupos serão instalados e a Newbie, foi aqui que dancei, nesta é oferecido a serie de perguntas, muitas mesmo, nossa, eu simplesmente não aguentei mais e chutei o balde, resetei a maquina e comecei do zero, o instalador não parava de perguntar, depois de refeito tudo cheguei novamente nesse ponto e ai optei pela Full.

Arquivos copiados, senha de root criada, reboot na maquina, vamos agora levantar o X, para isso usei o configurador da distribuição, afinal todas elas tem algum, mesmo sendo em modo texto é bem fácil e as perguntas são simples, diretas e se tiver conhecimento prévio do seu hardware não tem segredo, dei o startx e pronto, já tinha um ambiente gráfico, confesso que achei que seria mais difícil, mas não foi.

Feito isso resolvi ler o ebook do Kalicrates, fui ver quais meus erros e o que eu poderia ter feito para ter uma instalação mais simples, rápida e pratica, vi como instalar já usando o kernel 2.6, descobri que poderia usar a seleção de pacotes Expert e quais as configurações deveria fazer após configurar e subir o ambiente gráfico, então parti para uma nova instalação, do zero mais uma vez.

Alguns meses se passaram, fiz varias experiencias, aprendi muito com o Slackware, mas fui seduzido pelo Ubuntu, não conhecia a distribuição, contudo pedi o envio de um cd que já havia chegado, havia rodado como live-cd (e logo de cara descobri um bug no kernel, mas quando fui reportar vi que já haviam reportado e uma atualização estava sendo preparada, era questão de dias para ser colocada no ar), tudo parecia muito bonito, rápido e bem feito, acabei instalando em dual boot para testar.

Aqui em casa somos em 3 pessoas usando este computador, os outros também acharam o Ubuntu muito bonito e também foram seduzidos por todas as facilidades, tinha as atualizações automáticas, softwares novos (mas nem sempre estáveis), no final, por aclamação da casa acabei retirando o Slackware para dar lugar apenas para o Ubuntu, de quebra deixei ele com 3 interfaces gráficas, KDE (minha preferida), Gnome (o pessoal achou bonito, mas se queixaram de faltar alguns softwares que já usavam, optaram por usar aqueles do kde) e o xfce (que uso muito quando vou fazer tarefas que exigem mais da maquina, já usava ele no Slackware). Tudo ia bem, mas começaram os problemas, primeiro com as configurações do xorg.conf, eu colocava uma instrução a mão, mas por mais que eu desabilitasse tarefas automáticas do Ubuntu ele recriava meu xorg.conf com instruções que faziam meu monitor funcionar fora das recomendações do fabricante, assim meu monitor começou a operar de forma estranha e começou a apresentar problemas que não tinha antes, cheguei mesmo a pensar que teria de comprar um novo, outro ponto, com o passar das semanas a performance começa a decair, parecia que tinha voltado aos tempos do Windows, onde o registro começa a ficar truncado e temos de optimiza-lo, contudo aqui no mundo Linux não é assim, não consegui encontrar motivos para ocorrer isso e vi que não era só eu que estava enfrentando os mesmo problemas.

Para me deixar de cabelo em pé os updates estavam cada vez maiores, poxa vida, porque atualizar o kernel se meu sistema estava redondinho? Será que é necessária atualização de um aplicativo que nem mesmo o seu desenvolvedor considera ainda estável o suficiente?

Para resumir (e até porque isso será matéria de um outro artigo que estou escrevendo e já está quase terminado), me senti como se estivesse em 2000 e poucos, ainda usando o WinXP, matei o Ubuntu na maquina e estamos mais uma vez com Slackware.

Dessa vez, com mais experiencia e conhecimento de causa, tentei partir para uma instalação mais customizada, acabei fazendo um porcaria qualquer e em vez de tentar arrumar resolvi partir do zero, mudei o particionamento, refiz os tamanhos das partições, reinstalei o sistema e estou aqui, firme como uma rocha.

Vida longa ao Slackware, e que venha o 12, assim que fizer a atualização vou tentar dar uma dicas para iniciantes, preparem seus cd’s e dvd’s.

Até a próxima.

Atualização - Navegando hoje encontrei alguem que fez o caminho inverso, verdade que faz um tempo, mas pode valer a pena ler.

 

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MaxRaven • Em 18 Agosto, 2007 • Categoria: Opinião
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5 Comentários para “De volta ao Slackware mais uma vez”

  1. Cara, muita bom, seria bom se quem estah apaixonado por essas distros novas lessem esse seu post.

    abraços

  2. Agradeço o comentário.
    Realmente, a idéia é justamente essa, compartilhar um pouco da minha frustração e problemas, mostrar que nem sempre aquilo que pode parecer apaixonante pode ser o ideal para você.

  3. Gostei do seu artigo! Relembrei dos bons tempos em que iniciei no mundo linux ;)

    Usei o Slackware em sua versão 9.0 deu muita dor de cabeça na época por causa do teclado (o meu era bem antigo e não era ABNT - nem tinha teclas com acentos uhehehehe)

    Infelizmente, levado pela necessidade de produtividade, tive que abandona-lo pelo Debian e Kurumin.

    Hoje, tenho um pc velhinho, onde faço experiências e procuro aprender coisas novas, mas devo confessar que preferi usar o FreeBSD nele.

    De toda forma, parabéns pelo artigo ;)

  4. Gostei de seu artigo. Também gosto muito de testar distribuições. Debian, Fedora, Kurumin, Ubuntu, Conectiva, Kubuntu, Slackware, todas testei. A estabilidade do Slack quando bem configurado é indiscutível. Mas como também sou utilizador do Ubuntu 7.10 digo que essa nova versão está muito boa. É verdade, muitas são as atualizações. Acabei de ver que preciso atualizar 270 mb. heheheh. Mas tudo é opcional. Você pode configurar se vc quer todas as atualizações, ou apenas as de segurança. A vantagem dele é que é muito prático. No meu note, localizou todo o hardware automaticamente. Em 1 hora, tudo pronto. Tentei instalar o slack no meu note tb. Mas eu levaria dias para obter toda a informação do meu hardware para personalizá-lo. Bom, mas por debaixo dos panos, todos vestem a mesma camisa. A raiz é a mesma.

  5. Obrigado pela visita.

    Para você ver, estou testando o kubuntu novamente (não neste momento), mas depois que escrevi este, muita água passou, já teve versão nova, contudo ainda preciso “fuçar” mais a fundo, no geral melhorou, mas ainda cabe uns ajustes mais finos, pelo menos para meu uso, vamos ver se daqui um dias posto algumas impressões, ou então vou esperar o 8.04, pelo que li poderei ter uma experiencia melhor com ele.

    []’s

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