Drives da placa-mãe para Linux

Muitas vezes vejo pessoas que estão iniciando no uso de um sistema Linux e sempre aparece a duvida, onde encontrar os drives da placa-mãe para o Linux. Neste caso a resposta é bem simples, você não precisa deles, ou melhor, o sistema não precisa desses drives, pois em sua grande parte eles já estão inclusos no kernel, na forma de módulos. É isso que vou explicar aqui, não vou explicar como fazer, mas sim como funciona este processo e tentar explicar o porque de muitas vezes você conseguir fazer um determinado hardware funcionar em uma distribuição e em outros simplesmente não funcionar.

Todos que já instalaram um sistema operacional Windows pelo menos uma vez na vida sabe que ele reconhece boa parte do hardware de sua maquina, contudo, conforme aumenta o tempo entre o lançamento da peça e o lançamento do sistema, os drives, distribuídos pelo fabricante da placa-mãe, aquele que vem nos cd’s que acompanham o kit, são necessários, pois algumas peças são reconhecidas com limitações ou então, mesmo sendo reconhecidas não funcionam, assim, obrigatoriamente, para ter tudo funcionando precisará dos ditos drives.

Assim, quando o recém chegado pensa em instalar o Linux, logo vem a cabeça, preciso dos drives, ai ele olha o cd e nada, vai ao site do fabricante e mais uma vez nada, ai claro, ele fica na duvida e as vezes sem entender bem como funciona a coisa. Se é uma pessoa que sabe pesquisar vai encontrar uma farta documentação que explica este processo a fundo, mas mesmo assim, muitos acabam não entendendo, até porque usado o termo drive para simplificar, todos usam a expressão de senso comum, mas na realidade, no Linux, os responsáveis por esta ligação entre as peças de hardware e o sistema operacional (que no sistema Windows chamamos de drive) são os módulos do kernel, pequenos arquivos que são carregados dinamicamente conforme a necessidade do sistema como um todo.

Antigamente, na versão 1.x do kernel, os módulos eram estáticos e deveriam ser compilados diretamente nele, o que acabava ocasionando que ou a pessoa compilava um kernel para sua maquina ou ficava com algo inchado, monstruoso e pesado, mas a partir da versão 2.0 o conceito de módulos foi adicionado, assim, as distribuições podem compilar muitos itens como um modulo, e , junto com uma ferramenta de detecção, o sistema faz uma varredura pelo hardware instalado vai carregando o que é necessário, dispensando assim a instalação de módulos adicionais por parte do usuário, facilitando muito a instalação e simplificando as coisas para quem, como eu, quer apenas instalar e sair usando o sistema (mais detalhes poderá encontrar neste artigo do Carlos Morimoto sobre o assunto).

Mas existem exceções, alguns itens de hardware não tem os ditos drives, os fabricantes não fazem ou então não disponibilizam a documentação para a comunidade faze-lo, assim algumas peças não tem este suporte automatizado, por exemplo, os softmodens, algumas webcams e dispositivos wireless. Nesses casos é possível compilar um drive, criando assim o modulo , que será usado pelo kernel para fazer a comunicação, algumas distribuições colocam esses módulos já compilados em seus servidores, contudo, por motivos legais, devem ser instalados a parte. Também temos o caso das placas de vídeo, mesmo tendo alguns drives já incluídos no X (o servidor gráfico do Linux), os das placas ATI e Nvidia não tem um suporte 3D adequado, assim os fabricantes colocam a disposição uma opção melhor, contudo, novamente, a instalação tem de ser feita posteriormente e também, neste caso, algumas distribuições colocam algum modulo já pré-compilado em seus repositórios, o que facilita muita a sua instalação.

Kernel.org, 10 anos ajudando a informática a ter um pouco de emoção.Tenho visto também muitas queixas que a distribuição Y ou Z não tem suporte aquele novo item de hardware e que assim a instalação acaba não ocorrendo. Bom, nesses casos, de um novo hardware, geralmente lançado a pouco tempo, pouco conhecido ou usado só tem uma opção, utilizar a ultima versão disponível do kernel, seja o da sua distribuição escolhida ou mesmo um baixado direto do Kernel.org, contudo isso não é garantia que vá funcionar, mas na maioria das vezes resolve.

Mas ai está se perguntando, se não consigo nem instalar, como então vou compilar o kernel?
Bem, ai a opção mais obvia é utilizar alguma distribuição que tenha um ciclo curto de desenvolvimento, temos algumas como o Ubuntu, Fedora e Mandriva que mantém um ciclo curto, aproximadamente 6 meses entre uma versão e outra, já distribuições como Debian e Slackware tentam manter a estabilidade em primeiro lugar, fazendo com que o ciclo seja mais longo, então, neste caso, o mais obvio a fazer é tentar utilizar a versão mais recente de uma distribuição, nela encontrará uma versão mais nova do kernel e dos drives, assim, o risco de ter alguma peça de hardware não funcionando diminuiu potencialmente, sem contar que terá a disposição o que tem de mais novo na matéria de softwares também, o que pode ser realmente interessante para quem comprou algum item recém lançado e que busca obter todas as funcionalidades dele.

Bem, espero que tenha entendido porque não precisa dos cd’s de drives de sua placa-mãe para instalar o Linux, eu mesmo acho que não tenho nenhum drive do meu computador atual, simplesmente não me faz falta, tudo reconhecido e funcionando adequadamente. Duvidas quanto a instalação dos drives adicionais aconselho que sejam postadas em um fórum, como o do Guia do Hardware, lá poderá saber sobre as novas e melhores opções para seu hardware, sem contar que para cada distribuição poderá ter uma opção diferente de instalação.

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MaxRaven • Em 23 Janeiro, 2008 • Categoria: Linux
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3 Comentários para “Drives da placa-mãe para Linux”

  1. Parabéns, Max! Artigos para quem está começando no mundo do pingüim são sempre bem vindos!
    No Slack de casa eu compilo o Kernel, deixando só o que tenho na máquina. Aqui no trabalho eu deixei o Kernel padrão do Slack 12 (2.6.21.5-smp).

    Pequeno detalhe: acho que você queria dizer DRIVER (controlador de dispositivo) e não DRIVE (dispositivo eletromecânico para leitura e escrita, ex. drive de CD).

    Drive: http://www.answers.com/drive?cat=health (role até Computer Encyclopedia)
    Drivers: http://www.answers.com/driver?cat=biz-fin

    Foi só uma dica ;-)

  2. Então rapaz, nessas horas, eu para, penso e acabo seguindo a maré, todo mundo usa e busca por drive ou drives, tanto que a maioria acaba fazendo a distinção usando o termo drive óptico, drive de disquete para os dispositivos, então para não complicar mais ainda, vai o que a maioria usa mesmo, mas ótima observação.

    O certo mesmo, para nós deveria ser controladora, mas fazer o que? Já pegou o nome.

  3. O famoso “Vou no popular”!
    Tá certo… o importante é se fazer entender.

    Um abraço, e mantenha o trabalho!

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