KOffice, eu não sabia que era tão bom

Sempre fui um fã do OpenOffice, posso dizer que comecei usando ele ainda antes de existir, afinal usei o StarOffice da Sun antes da criação do OpenOffice, migrei para este e sempre fui feliz, ele sempre me atendeu plenamente, em partes porque nunca fui um usuário avançado do MSOffice, por um período só usava o Lótus, depois no trabalho mudaram para o ele, mas só usava as funções mais básicas, no meu primeiro computador de casa veio com o Lótus também, mas como eu já não gostava muito, achava muito cheio de funções que eu não usava e ocupava muito espaço em disco achei melhor encontrar outra solução.

Ai, como na época usava Windows, encontrei numa banca uma revista com um cd com vários aplicações de escritório gratuitas, dentre elas o StarOffice, o Abiword + Gnumeric e algumas outras que nem existem mais, fui testando, começando pela indicação da revista que se mostrou a pior de todas, passei pelo Abiword que achei interessante, mas me deu muito trabalho para configurar o corretor ortográfico, isso foi lá para os idos de 2000/01, tem tempo, não me crucifiquem :-), então acabei instalando o StarOffice, coincidências a parte, logo depois disso encontrei uma apostila feita pelo pessoal do Metro de São Paulo, o que me incentivou mais ainda a utilizar, quando saiu o OpenOffice foi simples, migrei também pelos motivos financeiros, afinal a suíte deixou de ser Shareware e passou a ser paga.

Passa algum tempo, comecei a usar o Linux e depois o Kurumin, na época ele incluía o KOffice como suíte de escritório, tentei usar, mas confesso que achei muito ruim, mas ruim mesmo, fiz coro com outros usuários da distribuição para inclusão do OpenOffice, hoje vejo que o problema não era tanto do software, mas do usuário, eu não estava disposto a entender o funcionamento diferente, a interface diferente e tudo mais, eu queria um clone do que eu já usava, claro que o KOffice não era isso, então nunca iria me acostumar com ele.

Finalmente chegamos aos tempos atuais, mais uma vez instalei o Slackware aqui, mas como era a versão 11 (estou esperando chegar a 12 via correios) resolvi não baixar o BrOffice, afinal são mais de 100mb, minha conexão ainda é discada (maldita Telefônica, o 3G da Claro vai chegar antes que o Speedy, fica vendo), então resolvi dar uma chance para o KOffice, pelo menos temporariamente, seria apenas para editar pequenos textos, se fosse o caso iria usar alguma aplicação online, como o Google Docs, pelo menos foi o que pensei no inicio.

Uma coisa que me irritava nos tempos do Kurumin era que o KWord desconfigurava meus arquivos criados no OpenOffice, o primeiro que abri ficou certinho, pensei que seria só aquele, por seu apenas um texto bem simples, abri outro mais complexo, abriu normal, ai resolvi abrir outro onde tinha inserido algumas formulas com tabelas, para minha surpresa tudo ficou correto, menos a formula, mas nada que se desse um jeito, final era um soma simples, resumindo, todos os documentos ficaram ótimos, sem os problemas que havia enfrentado anteriormente.

A verdade é que a suíte evoluiu muito daquele tempo para cá, outras aplicações foram adicionadas e houveram muitas melhorias naquilo que já existia, o que, ao meu ver, tornou a aplicação como um todo mais madura e uma seria opção para quem reclama (com certa razão) do exagero de consumo de recursos do OpenOffice. Aliado a isso tudo temos o suporte aos padrões OASIS, ou seja, tem total suporte ao ODF (Open Document Format), exporta em PDF e total integração ao KDE e seus aplicativos.

Sobre a suporte ao ODF cabe ressaltar noticias recentes, muitos tem dito que a comunidade do KOffice estaria inclinada não suportar o OOXML, em partes é verdade, mas não por motivos políticos e outros apresentados até o momento, em artigo recente no Linux.com, escrito por Bruce Byfield, coloca alguma luz sobre o assunto, resumindo, o problema não é politico, mas sim de falta de demanda dos usuários do suite, então OOXML, por enquanto, está fora de cogitação.

Ainda tem a questão da nova versão, o KOffice2, que fará parte do KDE4, as promessas de evolução são maiores ainda, a possibilidade de utilizar a mesma suíte em outros sistemas operacionais (para não dizer no Windows) é ótima, afinal, se já for instalar Amarok e outras aplicações do KDE em outro sistema também vou poder contar com um Office que utilize as mesmas dependências, o que pode facilitar muito uma migração, se começa usando essas aplicações no outro sistema operacional e quando menos esperar o usuário nem sentirá a migração para o Linux, afinal as aplicações serão praticamente as mesmas.

Bem, só tenho visto vantagens no KOffice, pelo menos para meu uso, desconfio que muitos usuários utilizam as suites de escritório da mesma forma, não seria o caso de sair migrando uma empresa, para isso precisaria estudo, afinal sei que alguns usuários tem necessidade bem diferentes, alguns chegam mesmo a precisar de usar o MSOffice, mas acho que muitos poderiam dar uma chance ao KOffice, talvez, como eu, não vão se arrepender de experimentar algo novo.
E que venha o KDE4 e seu KOffice2, ano novo, perspectivas novas no horizonte.

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MaxRaven • Em 20 Dezembro, 2007 • Categoria: Opinião
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8 Comentários para “KOffice, eu não sabia que era tão bom”

  1. (oie Max, sou o Marcos lá do GdH lol )

    Você falou tudo! O KOffice vem evoluindo cada vez mais… O KDE é praticamente um sistema completo, se não fosse o kernel Linux e o servidor gráfico X(Free/.org) poderíamos considerar o KDE o próprio SO.

  2. Menas (como diria o Presidente)….

    Para o KDE virar SO é como transformar água em vinho (do ponto de vista da impossibilidade).

    O kernel, gcc e ferramantas do GNU (binutils, diff, e uma tonelada de outras) são muitas vezes mais complexas que o KDE inteiro. O kernel é uma coisa grandiosa, na minha opinião um dos maiores projeitos de engenharia de software existentes.

    Devagar com o andor, senão o Santo fica tonto.

  3. Oi Marcos, tbm considero o KDE bem completo, que me lembro, assim de cabeça, os únicos softs não nativos dele que estou usando, por conta dessa espera pelo 12, são o Firefox, em partes por causado alguns sites ainda não abrirem direito no konqueror, mesmo tendo melhorado, o ThunderBird pq eu já tinha um perfil pronto que fui importando (via gambiarra), então ainda nem olhei a serio para kmail e o GIMP, este não achei alternativa ainda, como seria bom poder usar um KIMP hahahaha.

    Mas concordo com o Beco, muita coisa do KDE é bom pois usa justamente as ferramentas nativas, o diff que ele citou, hj não uso, mas teve uma época que ele salvava meu dia “todos os dias”, mas para quem está chegando é bem logico, ele acaba achando que o linux é o KDE ou Gnome ou o XFCE, ai realmente, o KDE, a principio, parece ser um “Linux mais completo”, inclusive já ouvi e li pessoas falando isso.

    Uma coisa que faço com amigos, é mostrar o linux rodando em modo texto, outro dia coloquei meus MP3 para tocar, um colega não acreditava, o Netto, um colega que as vezes aparece aqui no blog, ria de sair lagrimas dos olhos pela perplexidade do cara, ele não conseguia entender como era possível o “DOS” tocar musica, ai disquei e entrei na internet, para delírio do pessoal, queria lembrar como era aquele esquema para assistir videos do tubo em modo texto, ai sim seria engraçado, mas eu esqueci hahahhaa.

    Bão, mas obrigado pela visita, volte sempre, principalmente quando resolvo escrever besteira.
    Beco, sempre atento, como sempre :D

    Bom Natal para vocês.

  4. Mais um satisfeito usuário do Koffice! ;-)
    Eu uso o Kword sempre quando quero fazer algo que não necessite dos recursos do OO, por este ultimo ser ligeiramente pesado para minha máquina. Mas ainda há coisas do Writer que ficam desformatada no Kword, como notas de rodapé, etc.
    Mas no mais, esta suíte é excelente. Como vc mesmo disse, não é um clone; tem identidade própria, além da excelente integração com o KDE e demais recursos destes. Suporta svg nativamente, tanto como “cliparts”, quanto como formato de edição - com o karbon14 -, coisa que o OO não oferece. Aliado ao kprinter então, se torna uma excelente alternativa ao MS Office, pois possui as funções necessárias para a maioria dos usuários - que mal sabem utilizar tudo aquilo que o MS-O ou o OO fazem.
    Com o Koffice-2.0 as coisas melhorarão muito. Só tô esperando sair o KDE4 pra usar definitivamente. Mas mesmo assim usarei o OO, pois este ainda tem recursos bem interessantes.

  5. É Leandro, e eu, por pura picuinha, estava perdendo o KOffice, tinha aqui instalado de enfeite, para o meu uso simplesmente não preciso do OO, mas sei que muita gente vai precisar dele ainda, talvez esta necessidade diminua conforme ele for melhorado e quem sabe até adotado por mais pessoas.
    Talvez o maior entrave para alguem migrar de uma suite, seja ela qual for é justamente quando tem de trocar muitos documentos outras pessoas, esse negocio de perda de formatação é um saco, tenho um manual aqui .doc, no OO fica quase impossivel de ler, totalmente torto, no KOffice parte do texto fica invisivel, tenho de selecionar para ler.

    Mas agora, para uso pessoal, redigir um texto, imprimir, não tem coisa melhor, aqui está na medida certa, pratico, leve, rapido e o melhor, não precisei encarar mais de 100mb de downloads :D

    Abraços e boas festas para ti.

  6. Haha

    eu disse no sentido de aplicações disponíveis… Não tecnicamente. Assim como o Explorer do Windows e as aplicações nativas não seriam nada sem o kernel, drivers, etc…

    Com outros gerenciadores de janelas (exceto o Gnome) normalmente é necessário instalar um monte de coisas, mas o KDE marca… Iniciantes que usam Linux muitas vezes acham que o KDE “é o sistema”, já passei por isso… Onde alguns disseram que tal distro era baseada em outra
    (que não tinha nada a ver) só porque a interface era parecida…

    Mas enfim, sem comparações, parabéns para a equipe do KDE e KOffice :)

  7. Quanto a impressionar o cara pelo modo texto, mandou um:

    mplayer -vo svga vídeo
    ou
    mplayer -vo aa vídeo

    Isso sempre deixa o pessoal boquiaberto ^^

  8. [...] KOffice, eu não sabia que era tão bom [...]

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