Minhas impressões sobre o KDE 4

Como disse no artigo anterior, minha vontade mesmo era falar o que achei da cara do novo KDE4, dizer o que vi e gostei, mas também falar daquilo que não gostei, então apertem os cintos, pois muitas coisas adorei, mas algumas, pelo menos até o momento, não sei se são as idéias, inclusive acho que são elas que tem causado tantas criticas.

Sobre o Visual:

Este deve ser o maior ponto de discórdia do KDE 4, 12 de cada 10 reclamações quanto a isso é que, supostamente, o KDE4 ou é uma imitação barata do visual do Windows Vista ou do Mac OsX, isso varia de quem está reclamando, ao meu ver há uma logica nas reclamações, alguns visuais são realmente muito parecidos com um ou outro, mas não há uma razão real, pois, da forma como foi pensado o novo KDE, ele não parece com nada, na realidade ele não tem nada mesmo, apenas aquilo que você insere e diz para ser seu ambiente de trabalho, nisso ele pode ser igual ao Vista, ou Mac, ou até mesmo pode ficar sem nada, com apenas um relógio e um botão para o menu K, talvez nem isso, pode continuar chamando suas aplicações pelo atalho de teclado Alt+F2, imagine ter apenas um papel de parede e mais nada, isso é totalmente possível, mas, convenhamos, não é uma forma muito produtiva.

Meu Slackware 12.1 com KDE 4.0 Devel (beta 1)

Isso tudo é o Plasma, uma das maiores vedetes do KDE 4, ele foi pensando para incorporar uma serie de funções que já existiam, mas que ou tinham de ser implementadas em separado ou era extremamente difícil. Também pretende modificar a forma do usuário lidar com seu ambiente de trabalho, trazendo novos conceitos de usabilidade ao projeto KDE. Resumidamente, criticar o projeto todo por seu visual atual é o mesmo que trollar por trollar, afinal, se formos olhar o que é hoje os ambientes gráficos, veremos que o usuário coloca aquilo que tem vontade, seja a cara do Vista, do Mac ou de nada, eles quem decidem no final das contas.

Utilizei aqui dois temas para o Plasma, o tema default, aquele mesmo que todos dizem ser a cara do Vista e o Aya, que baixei do Kde-Look.org, aqui encontrei um problema, toda vez que tentei usar o instalador de temas do configurador da área de trabalho tive um crash, então acabei fazendo o download manual, descompactei e coloquei na pasta correta, ai novo inconveniente, ele não aparecia, pensei que bastava reiniciar o KDE, mas não deu certo, tive de reiniciar o sistema inteiro para que o novo tema fosse apresentando como opção, ao escolher, para realmente ele ter efeito, tive de reiniciar o sistema mais uma vez, ou seja, um porre, isso me fez manter o tema default, até porque ando numa fase mais escura, até meus ambientes de produção estão com temas escuros, fica melhor para mim.

Meu veredito é que nisso o KDE continua firme e forte, sua capacidade de customização é enorme, com o Plasma podemos ter qualquer coisa, de qualquer forma. Verdade que hoje, devido a ainda ser uma novidade, temos poucas opções, mas imagine a quantidade de temas que tínhamos no começo da versão 3.5 do KDE, será que tínhamos a mesma quantidade que hoje? Não, é claro, assim basta ir com calma, logo teremos tudo, temas, ferramentas, hacks e assim, mais uma vez, o KDE terá a cara que você quiser, como sempre foi e sempre será. Inclusive essa é uma promessa antiga, já vi o Aaron Seigo falar isso algumas vezes, geralmente rebatendo as afirmações que citei acima, é dar tempo ao tempo.

Já na questão dos efeitos não pude usar todos, infelizmente tenho uma Via UniChrome, nesta instalação ainda nem me dei ao trabalho de instalar os drives openChrome, então usei o Vesa mesmo, mas as transparências, efeitos de manipulação de janelas e uns poucos funcionaram totalmente, sem perda de desempenho, sem lentidão e sem crashes. Lembro que esses efeitos são os nativos, os do Kwin, nada de Compiz. A tendencia é que fiquem cada vez mais bonitos, leves e integrados ao sistema, facilitando muito a vida de quem usa e de quem desenvolve.

Sobre as Aplicações:

É aqui que o “bicho pega”, pelo menos para mim, ainda não temos toda a gama de aplicações disponíveis e totalmente funcionais ainda, muitas estão em estagio Alpha ou Beta, mas umas poucas só faltam pequenos ajustes, contudo pouco importa, para um ambiente de trabalho precisamos de tudo a mão, mesmo que seja um desktop, que prefira o BrOffice.org ao KOffice, mas precisa de tudo lá, a mão, então não adianta, enquanto não estiver tudo pronto e funcional teremos fazer a opção, ou usamos o bom e velho 3.5.9 ou então partimos para as “gambiarras”, como usar aplicações KDE3 no KDE4, eu não vejo isso como solução, prefiro a primeira.

Na minha visão, o melhor é esperar e ter uma coisa só, madura e integrada do que ter um pouco de cada mundo e no fim acabar tendo dores de cabeça, ficar correndo atrás para saber se isso ou aquilo funciona ou não.

Novo Amarok 2 no Slackware 12.1

Mas já dá para ter uma previa, gostei do que vi nos que mais uso para tarefas corriqueiras, tanto o KOffice, como o Amarok já podem ser usados, com limitações claro, estão em forte desenvolvimento, mas pelo que vi continuaram a ser minhas opções default como tocador de musicas e suíte de escritório. No Amarok destaco o esquema de instalação de applets, bem ao estilo do Plasma, clico com o direito e escolho o que quero, no meu caso escolhi o visualizador de faixa em execução e o que busca as informações na Wikipédia, mas outros, como o que busca as letras das musicas e as capas dos discos estão a disposição.

O novo formato do KControl (painel de controle do KDE) está mais “moderno”, bem com cara de um painel de controle, com ícones que vai facilitar para quem está acostumado com outros sistemas operacionais e não vai esconder funções de quem já conhece e sabe o potencial do Kcontrol. Só acho que deveriam explorar mais o sistema de abas, mas acho que isso vem com o tempo, com mais módulos incorporados vão aparecer mais funções e com isso a necessidade mais abas vai aparecer, cedo ou tarde. Verdade seja dita, o Kubuntu já usa este sistema já a algum tempo, me lembro de ter visto no 7.04 e já ter gostado, vendo agora isso, como padrão do sistema foi gratificante.

Outra aplicação que gostei muito foi o DragonPlayer, que é o novo e exclusivo visualizador de vídeos do KDE 4. É pequeno, aparentemente tem poucos recursos, mas me espantou por um fato, ele é simples e direto, despoluindo o pouco o visual da aplicação, onde, muitas vezes, o excesso de funções acabam atrapalhando o uso de funções essenciais.

Outra coisa que me espantou, bastou ter o plugin do Flash instalado para ele exibir corretamente os videos em FLV que tenho na maquina, foi de primeira, pois o plugin instalei logo após a instalação do sistema (tenho um TGZ dele na maquina), outros codecs nem falo, afinal é sabido que alguns já vem instalados por padrão no Slackware, então bastou iniciar o KDE4 que tive a disposição todos meu vídeos, exibidos muito bem, obrigado.

Dragon Player - novo visualizador de vídeos do KDE 4

Mas já disse que nem tudo foi flores. Aproveitei para testar algumas ferramentas administrativas além do KControl, tentei o KUser e adivinhem, nada, ele me dizia que havia criado o usuário, feito as devidas criações (pastas na /home, setar senha e tudo mais), contudo não foi verdade, então fui obrigado a apelar para o bom e velho Konsole, que, apesar de ter tido algumas melhorias, não mudou muito, afinal o que há para mudar num emulador de terminal?

Outras aplicações menores não deram problema algum, mas isso já era esperado, afinal a complexidade é bem menor, mas que me chamou a atenção e também do pessoal de casa foi a total modernização do KDEGames, o conjunto de jogos para o KDE.

Paciencia, Mahjongg, Spider, Netwalk, todos os jogos foram modernizados, estão mais bonitos, com gráficos novos, alguns até mesmo tem novas regras ou funcionalidades, estão mais agradáveis para matar o tempo.

Para encerrar a parte de aplicações quero dizer que ainda falta muito, mas está bem encaminhado, dia desses vi que o já tem um novo Alpha do KOffice, o Amarok2 está a todo vapor e muita coisa tem sido feita, inclusive com olhos para o lançamento do KDE 4.1, então não adianta ficar chorando e querer apressar as coisas, tudo estará no seu devido lugar com o tempo. Até porque muita gente ainda está migrando para o Qt 4 ainda, com a boa aceitação desta versão uma nova safra de aplicações está vindo ai. As nativas estão andando, mas outras, novas, vão chegar em breve, podem esperar para ver.

Resumindo:

Na minha opinião toda a badalação, pompa e o buzz que envolveu o lançamento do KDE 4 foi ótimo e benéfico, a coisa tem andado tão rápido que, de um dia para outro o SVN está lotado de coisa novas para aplicar, correções e novidades, as aplicações individuais também teve se desenvolvimento acelerado.

Até hoje muitos ainda criticam, dizendo que foi prematuro o lançamento, que o KDE 4 não passa de um imenso Beta, mas no fundo é verdade, contudo era esta a ideia, desenvolver até um ponto e depois disso lançar para que mais gente se envolvesse, pelo visto foi um sucesso e funcionou perfeitamente.

Ainda não é uma versão de produção, alguns até podem usa-la no dia a dia, eu mesmo tenho usado. Instalei a versão 4.0.4 no Mandriva, aquele mesmo que estava usando com o Gnome para ver qual era, no final acabei instalando o KDE 3.5.9 também e depois, após avaliar como estava o KDE 4 no Slackware, instalei ele aqui também. Esta versão, voltada “mais” para o usuário final, tem se mostrado bem estável, praticamente sem crashes (eles só estão ocorrendo ocasionalmente quando desligo ou encerro a seção), como posso usar aqui também as aplicações do KDE 3 e do Gnome ao mesmo tempo facilita muito.

Julgo que ele estará realmente maduro lá para a versão 4.2 ou antes, talvez no começo do próximo ano já teremos esquecido todas as discussões quanto as mudanças, tudo estará praticamente superado e esquecido, isso se já não estiverem discutindo algo como “O KDE está estagnado, não tem inovações neste novo release” e coisas do gênero, é esperar para ver.

Quanto as acusações de ser uma imitação de Vista ou do Mac, me desculpem, mas se realmente eles forem assim (coisa que tenho certeza que não são) é uma beleza, os usuários destes sistemas estão bem servidos de gerenciadores gráficos. De resto espero o Current do Slackware com o KDE4 (isso se o Patrick cumprir a promessa) ou a próxima safra de distribuições, afinal, até lá, já teremos uma versão bem mais acabada e praticamente pronta para uso, ai sim poderei dizer, bye, bye KDE 3, muito obrigado por todos esses anos me atendendo tão bem. E que venha o KDE 5.

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MaxRaven • Em 13 junho, 2008 • Categoria: Linux
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6 Comentários para “Minhas impressões sobre o KDE 4”

  1. Acredito que não precisaremos esperar o KDE 4.2. O KDE 4.1 já traz uma boa gama de aplicativos faltantes e corrige várias lacunas.

    E quanto à versão 4 ser imitação de outros sistemas eu acho que só pode ser brincadeira. Algumas idéias sim foram pegas do Mac OS X e do Vista, mas, que mal tem? Até parece que estes nunca pegaram idéias emprestadas do próprio KDE e outros gerenciadores no passado.

  2. Eu já vi e usei o Kde 4.0.4 porém fico e com muita alegria com o
    Kde 3.5.8 ou 3.5.9 - Só espero que a nova safra de distros com
    o Kde padrão ou opção, para novembro ou dezembro, só se for a versão
    4.1 do mesmo. Imitação visual do Mac e Vista, Hum! tem muita gente
    que não tem o WinVista e nunca teve um Mac, fiquem falando certas
    coisas. Comadre vai com as outras. Esta questão do visual apenas
    parecer não quer dizer nada, absolutamente nada.

    Aqui falei em distros com ciclo de releses de 6×6 meses.

    Nota; Se O Debian 5 Lenny vier com o Kde (iso separada) que não
    for a 4.1 (prefiro a 3.5.9) para agosto ou setembro e de repente,
    vier com uma destas 4.0…qualquer coisa eu não vou querer.
    Vou esperar as releases seguintes r1 r2 etc..
    Parece que a versão do segundo beta do Lenny (dvd 4,6 gb) congelou.
    Vamos aguardar. Porém meu palpite é que o Debian venha com o
    Kde 3.5.9 oficial e com uma versão da 4 opcional como fez a Canonical
    com o Kubuntu.

    até

  3. Com o lançamento do 4.1 as distribuições começarão a adotá-lo como padrão.

  4. Inclusive, segundo uma mensagem antiga do Patrick, vai ser nessa época que (provavelmente) entrará o KDE 4 no Current do Slackware.

    Vou dizer uma coisa, entre o 4.0.3 e o 4.0.4 do Mandriva houve uma boa melhorada, se juntar a isso a previsão de novidades do 4.1 (o beta que instalei no Slack) já será um grande passo, só faltará mesmo as aplicações maiores, como KOffice e Amarok.

  5. Max e amigos do Blog,

    Li uma notícia no BR-LINUX que a Canonical vai lançar
    uma nova iso do Ubuntu (e a família não sei se terá).

    O porquê da 8.04.1 LTS do Ubuntu: Quem continuar
    a baixar a distro não terá que fazer todos aqueles
    updates já aplicados à primeira versão. Talvez só os
    mais recentes.

    Turma, eu acredito que isso é coisa muito útil, e boa valia
    para quem tem concexão discada e também para quem tem conexão banda larga. (enche o saco você instalar e
    ficar fazendo todos os updates em qualquer distro).

    Por isso, o pessoal quer baixar logo quando a distro é
    lançada. Assim vai fazendo os updates (inchando) aos
    poucos. Grande Sacada da Canonical. Para quando não sei? Ubuntu 8.04.1 LTS.

    Talvez começo de Julho ou ir ao site e conferir. Coisa que
    eu não fiz.

    Max, essa é para você, ahaaha! não esqueça de ler.

    O Desenvolvedor líder do Linux Mint, é um francês que
    vive atualmente na Irlanda (eng, e programador oficial
    em Java de uma grande empresa) Clemente Lefrebve
    A distro é Ubuntu/Debian/based, porém olha só a
    minúcia …ele é usuário avançado do Slackware Linux
    desde os primórdios. É sua distro preferida e ele tem
    até realaçoes estreitas de amizade com o Patrick Volker

    O Mint tem dois servidores (vai ter 3 ) que rodam o
    Gentoo Linux nos servidores. O Carinha da equipe
    do Mint é Gentoo mesmo. O Kde é desenvolvido por
    um membro da comunidade Boo (é autraliano). Logo
    a distro Kde vai ser principal também. É debianista.
    E o restante do pessoal lá também é Debian.

    Onde Slack, Gentoo e Debian se unem (em desenvolvedores) para optarem por uma distro que
    não ataca a MS. Simplesmente quer ser simples e trazer
    o máximo de gente para O OS LINUX.

    O Mint tem uma receita de propraganda e doações mensais
    que aplica tudo que entra na distro e servidores.
    Ninguèm recebe nada. Por isso estão pensando em montar
    uma pequena empresa para pagar os que trabalham na
    distro e fornecer emprego para as pessoas de todo mundo

    Claro que o número de empregados será limitado devido
    à limitação inicial da empresa e que ficará com as vagas
    deverão ser na minha opinião quem tiver melhor
    qualificações nas áres de programação, designer, etc..

    Eles já dão suporte pago (para quem quer) e vão fazer
    uma versão x64bits agora ( talvez a 5 ja rode nele)
    O produto, “a distro” vai ser sempre grátis.

    Outra coisa: Se mudarem da base Ubuntu (que não entendem mudar até 2010 pwelo menos, eles já tem
    um PLANO B na gaveta.

    O suporte à lingua portuguesa na versão 5 é total. Na
    versão 4 Daryna, tinha suporte mais suas ferramentas
    próprias ainda ficavam na língua inglesa.

    Pois é Max,
    Quem lidera O MINT (Clement) é um slackliano de primeira
    linha) Óbvio que ele entende muito de Debian também.

    O Mint é uma democracia. Tudo é colocado lá para nós
    votarmos e escolhermos. A Maioria vence.

    Abraços.

  6. Max e amigos,

    Este sobre o KDE 4 - KDE: It’s time for a fork

    Interessante ler este artigo e comentários.
    Este KDE 4 está dando o que falar.

    Os usuários de openSUSE e outros estusiastas, mais curiosos
    do que téncicos (Eu não técnico - posto sobre o que leio) mandaram
    brasa no openSuse e levaram a distro lá para cima no ranking.
    Agora começaram nos mailing lists mandar o pau no KDE 4 - .
    No openSuse também.Artigo na distrowatch faz referência.

    Agora este blog vem com este artigo. Tem muita discussão
    nos comentários. No fim quem vai acabar ganhando com tudo
    isso é o Gnome.

    Eu sou KDE - mas KDE 3.5.9 ainda até o KDE 4 for bom.

    link

    http://practical-tech.com/operating-system/kde-its-time-for-a-fork/

    até

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