Particionamento de disco para o Linux

Quando da instalação de um sistema operacional sempre nos deparamos com a necessidade de preparar o disco rígido, nem sempre o usuário tem um controle completo sobre esta etapa, o Windows é um exemplo, se não tomar os cuidados necessários poderá perder todos os dados ali contidos, ele tem essa característica agressiva, tenta ocupar a totalidade do disco, sem se importar com outros sistemas ou arquivos que o usuário por ventura tenha gravado.

Pensando nisso, e também no fato que muitos usuários já tem um outro sistema instalado, as distribuições sempre colocam a disposição alguma ferramenta para o particionamento seguro do disco, até porque, em algumas instalações, a criação de múltiplas partições pode ser necessária, como por exemplo colocar a partição /home separada em outra partição ou então /var no caso da criação de um servidor web por exemplo.

 

Mas nem tudo são flores, algumas distribuições não tem um instalador gráfico ou então o usuário não tem conhecimento para utilizar um particionador em modo texto. Eu, mesmo conhecendo os procedimentos para um particionamento em modo texto prefiro usar um particionador gráfico, aqui no caso é mais uma questão de conforto para os olhos e até mesmo um fator psicológico, pois posso acompanhar pelas barras como ficará o disco após confirmar as modificações. Para isso uso sempre um cd da distribuição nacional Kurumin, pois ele incluiu as duas ferramentas, tanto o cfdisk como o gparted, que nada mais é que a interface gráfica para outra aplicação em modo texto, o parted.

Antes de começar o particionamento propriamente dito temos de fazer um planejamento, pois teremos de analisar como ficará nossa instalação, algumas perguntas comuns são:

 

Vou manter uma instalação de múltiplos sistemas operacionais, o famoso dual-boot?

 

Vou colocar minha pasta home ou qualquer outra em uma partição separada?

 

Vou criar uma partição para fazer minha backup ou armazenar arquivos?

 

Eu tenho de criar essa tal de swap?

 

Antes de começar vamos tentar entender alguns conceitos novos, como o que é uma partição, swap, ext3, reiserfs, sistema de arquivos e outros que podem ajudar você entender com clareza como proceder e quem sabe num futuro não precisar de modos gráficos, receitas de bolo e até mesmo solucionar por conta própria alguns problemas que possam ocorrer.

 

Teoricamente poderíamos usar um disco rígido completo para armazenar os dados, mas isso pode trazer alguns problemas, como naqueles casos onde precisa formatar uma maquina para reinstalar o sistema operacional e não tem como fazer uma backup dos seus arquivos pessoas, se tivesse o disco particionado bastaria copiar para essa outra parte e reinstalar o sistema tranquilamente, sem perder muita coisa.

 

Para fazer isso criamos partições do disco, ou seja, criamos fatias menores do mesmo bolo, imagine seu disco como uma grande pizza, as partições são as fatias da mesma, contudo existem regras para criação dessas fatias, existe três tipos de partições: Primária, Estendida e Lógica.

 

 

 

  •  

    Uma partição primária é uma partição que tem sua informação gravada no registro mestre de inicialização (MBR). Como um MBR é muito pequeno (512 bytes), somente quatro partições primárias podem ser definidas (por exemplo, de /dev/hda1 até /dev/hda4).

  •  

    Uma partição estendida é uma partição primária especial (significando que a partição estendida deve ser uma das quatro partições primárias possíveis), que contém mais partições. Tal partição não existia originalmente, mas como quatro partições eram muito pouco, estendeu-se o esquema de formatação sem perder compatibilidade com o método antigo.

  • Uma partição lógica é uma partição dentro de uma partição estendida. Suas definições não são colocadas dentro do registro mestre de inicialização (MBR), mas são declaradas dentro da partição estendida.

Agora que sabemos o que é uma partição e como podem ser elas, vamos entender o que são sistemas de arquivos, uma definição muito boa e de fácil entendimento é da wikipédia:

 

“é a forma de organização de dados nos discos de armazenamento. Sabendo do sistema de arquivos de um determinado disco, o Sistema Operacional pode decodificar os dados armazenados e lê-los ou gravá-los.”

 

Veja o artigo completo - http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_de_arquivos

 

Veja alguns sistemas de arquivos usados no Linux:

 

 

  • Ext3 é a versão com jornal do sistema de arquivos ext2, fornecendo jornal de meta-dados para recuperação rápida, fora outros modos de jornal aprimorados como dados completos e dados ordenados. O ext3 é um sistema de arquivos muito bom e confiável. Tem uma opção adicional de catalogar hashed b-trees que permite alta performance em quase todas situações. Você pode ativar este catálogo adicionando -O dir_index ao comando mke2fs. Para resumir, o ext3 é um excelente sistema de arquivos.

  • ReiserFS é sistema de arquivos baseado em B*-trees que tem uma performance em geral muito boa e muito superior a tanto o ext2 quanto o ext3 na hora de lidar com arquivos pequenos (de menos de 4k), freqüentemente com um fator de 10x-15x. O ReiserFS também escala extremamente bem e tem jornal de meta-dados. A partir do kernel 2.4.18+, o ReiserFS está sólido e pronto para ser usado tanto como um sistema de arquivos genérico quanto para casos extremos como a criação de sistemas de arquivos enormes, uso de muitos arquivos pequenos, arquivos muito grandes e diretórios contendo dezenas de milhares de arquivos.

  • XFS é um sistema de arquivos com jornal de meta-dados que vem com um robusto conjunto de funções e é otimizado para escalabilidade. Só recomendamos usar este sistema de arquivos em sistemas rodando Linux com equipamento SCSI de ponta e/ou armazenamento em canais de fibra e fonte de energia sem interrupção. Pelo fato de o XFS criar cachês agressivamente de dados em uso na memória RAM, programas mal desenhados (que não tomam precauções na hora de escrever os arquivos em disco, e existem muitos deles) podem perder uma grande quantidade de dados se o sistema for desligado sem aviso.

  • Swap, este não é bem um sistema de arquivos, mas sim um tipo especial onde é armazenada a memória virtual no linux, ou seja, um local do seu disco rígido que funciona juntamente com a memória RAM, funcionando como extensão da mesma, tendo em vista a necessidade dos programas de usar a RAM para sua execução, quanto mais memória RAM menos swap é necessário, não existe um consenso de quanto é necessário, mas na minha experiência, em caso tenha 512MB ou mais de RAM o ideal é 256MB de swap, abaixo disso 512MB estará de bom tamanho.

 

 

Cabe aqui uma consideração de como é reconhecido o disco rígido no Linux, basicamente é a nomenclatura é hda para a primeiro disco conectado a IDE como master, hdb para o segundo disco, hdc e hdd para os discos conectados a IDE secundaria, contudo se seu disco for um SATA (Serial ATA) ele será reconhecido como sda, sdb, etc… Cada partição de um disco recebe um nome simples com base na instalação, se você tem apenas um disco em hda com três partições teremos então hda1, hda2 e hda3 e assim vai com os outros discos.

 

 

Pronto, você já sabe o básico sobre particionamento, disco rígidos, partições e sistemas de arquivos, pode partir para o trabalho braçal agora, pode escolher entre o particionamento em modo texto ou graficamente, se sentirá mais tranqüilo para realizar a tarefa. Mas você está se perguntando, onde estão os comandos, onde estão as imagens, bem, este não é um tutorial sobre como fazer, mas sim uma introdução para que use os vários tutoriais da internet, bem como recomendo a leitura dos links já passados e das fontes usadas para este artigo.

 

 

 

Tutorial de Particionamento:

 

Por Carlos Morimoto (Guia do Hardware)

 

Gentoo – Preparando os Discos

 

Wikipédia:

 

Sistema de Arquivos

 

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MaxRaven • Em 12 Agosto, 2007 • Categoria: Linux
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